
A comunidade dos morros Chapéu Mangueira e Babilônia, localizada no Leme, Zona Sul do Rio de Janeiro, abriga cerca de seis mil pessoas, sendo 1.500 famílias. Atualmente, os moradores lutam para desenvolver projetos culturais na comunidade. Hoje, já existem grupos de dança (Hip Hop), aulas de xadrez e violão, além de um projeto que leva crianças e jovens do Babilônia para assistir aulas de música clássica no morro Santa Marta.
Um grupo, formado por cerca de 15 jovens, que vem promovendo trabalhos culturais – com teatro, dança, fotografia e audiovisual – também foi contatado para ajudar na divulgação e no desenvolvimento do ‘Cinema Comunitário’. De acordo com um dos membros do grupo, Álvaro Maciel, de 23 anos, os jovens já criaram uma rádio comunitária e buscam apoio para desenvolver produções na área de audiovisual, entre elas documentários e conteúdo para uma futura TV comunitária.
A proposta da organização é dar suporte e infra-estrutura necessários para que a comunidade seja capaz de manter e desenvolver o espaço de produção audiovisual após a conclusão do projeto.
O morro também recebeu, no dia 10 de junho de 2009, uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do governo do Estado – semelhante à instalada em comunidades como Santa Marta, em Botafogo, Cidade de Deus, em Jacarepaguá, Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, em Copacabana e Ipanema. A integração entre policiais e moradores, além da entrada de serviços do Estado, tem sido o principal chamariz do novo modelo de segurança.
Um dos policiais da unidade, hoje, dá aulas de violão a moradores do local. O secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, também se reúne regularmente com os líderes locais para buscar soluções e melhorias.
“Nós entramos com o policiamento para que outros serviços e projetos entrem e acrescentem a essas comunidades. A segurança está estabelecida. Agora, eles precisam de iniciativas que façam com que a comunidade cresça”.
Essa ação do governo tem atraído numerosos veículos de comunicação, nacionais e estrangeiros, que buscam divulgar ações desenvolvidas dentro da comunidade – o que pode dar visibilidade ao projeto, além de ajudar a obter novos parceiros para dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelos moradores.
Até hoje, além da cobertura dos inúmeros jornais brasileiros, mais de 40 veículos de comunicação internacionais – como New York Times, dos Estados Unidos, BBC, de Londres, e Le Monde, da França – já vieram ao Brasil fazer reportagens sobre as comunidades que possuem UPPs.
Os morros também possuem experiência com a área de cinema. Produções audiovisuais como os filmes ‘Tropa de Elite’ e ‘Orfeu Negro’, o documentário ‘Babilônia 2000’, e as séries ‘Filhos do Carnaval’ e ‘Cidade dos Homens’ foram filmadas na comunidade – contando com a participação dos próprios moradores.
O local possui espaços amplos, ociosos e favoráveis – pertencentes à própria associação de moradores – para o desenvolvimento do ‘Cinema Comunitário’. A utilização das salas já foi negociada com a comunidade, que se mostrou extremamente receptiva ao projeto.
Os espaços ficam em uma escola de reforço – Escolinha da Tia Percília –, da própria associação de moradores, mantida por uma ONG da Suécia e por contribuições de residentes da comunidade.
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Membros do projeto Cinema Comunitário vêm conversando com representantes locais para buscar informações e detalhes que ajudem no desenvolvimento do projeto junto à comunidade.
Os líderes comunitários se mostraram dispostos a auxiliar e divulgar a execução do projeto, assim como disponibilizar os espaços necessários para montar a estrutura das oficinas. Ainda de acordo com os moradores, não existe nenhum projeto semelhante na comunidade.
A presidente da associação de moradores do morro Babilônia, Percília da Silva Pereira, se disponibilizou para ser parceira no projeto.
“É uma iniciativa excelente e inovadora para a nossa comunidade. O cinema, hoje, funciona como um formador de opinião e até de personalidade para os jovens. Poder contar com um projeto que vai abrir a mente dos nossos jovens para o bem e, ainda, proporcionar benefícios profissionais é um ganho enorme para nós”.
Além da associação de moradores, membros do Centro de Referência da Juventude (CRJ) do morro Babilônia se disponibilizaram a auxiliar com o que for necessário ao projeto. Alinhado às políticas públicas para jovens, o projeto Centros de Referência da Juventude é uma ação vinculada à política de Responsabilidade Social da Petrobras, que por meio do Programa Desenvolvimento e Cidadania prioriza a garantia de direitos da criança e do adolescente e a educação para a qualificação profissional e a geração de trabalho e renda. O CRJ do Babilônia começou a funcionar em janeiro de 2010.
Outro trabalho interessante é de uma cooperativa de reflorestamento baseada no Babilônia, que promove subidas até a Pedra do Urubu, topo do morro. O trajeto é suave e até crianças são capazes de chegar ao fim da trilha. Guias fazem paradas durante o caminho e falam sobre os atrativos da área, além de apresentar histórico do local e informar sobre o trabalho de replantio que está sendo feito.
O trabalho da Cooperativa de Trabalhadores em Reflorestamento da Babilônia começou em 2001. Eles atuam em uma área de aproximadamente 450 mil metros quadrados, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Babilônia. Nesse espaço, a mata atlântica está sendo recuperada. É o que resta do que foi perdido ao longo do tempo de ocupação da região da Zona Sul, quando se começou a explorar a mata, retirando a vegetação para fins imobiliários. No morro da Babilônia existiam algumas minas de água que, por conta da ocupação desenfreada e corte da vegetação, secaram.
Uma das opções que o projeto pode proporcionar é o trabalho de produção de vídeos para os turistas que visitam a comunidade e do próprio trabalho de reflorestamento que vem sendo feito no local.

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